HIV, Aids e Gestação

É um assunto delicado e presente na realidade brasileira. Para entender mais sobre o assunto, conversamos com o Dr. Leonardo

HIV, Aids e GestaçãoÉ um assunto delicado e presente na realidade brasileira. Para entender mais sobre o assunto, conversamos com o Dr. Leonardo da Silva Valladão de Freitas, Médico do Pré-Natal de Alto Risco da Santa Casa de São Paulo.

LetsFamily: Como é o cenário das mulheres portadoras do vírus HIV e com AIDS que engravidam?
Dr. Leonardo: Primeiramente, é muito importante diferenciar a paciente portadora crônica do vírus HIV da paciente com AIDS.
A Síndrome da Imunodeficiência Humana, conhecida como AIDS, é um estágio mais avançado da doença, no qual a imunidade da paciente encontra-se extremamente baixa, a ponto de doenças oportunistas causarem infecções graves. Neste cenário, o risco gestacional é grande, mas felizmente é um quadro cada vez menos comum devido à instituição de tratamento gratuito a portadores do vírus HIV pelo Ministério da Saúde.
A paciente portadora do HIV deve ser tratada durante a gravidez para diminuição de sua carga viral, aumento dos linfócitos e diminuição da transmissão vertical, que é a transmissão da mãe para o bebê durante a gravidez e o parto.

LetsFamily: Quais os principais cuidados que a gestante portadora do HIV deve ter?
Dr. Leonardo: A portadora do HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) deve fazer o uso correto da medicação prescrita, chamada de coquetel antirretroviral. Na ausência de tratamento, a transmissão vertical pode chegar a 20-25% dos casos. Em pacientes com imunodeficiência (AIDS), essa taxa sobe para cerca de 50%.
Por outro lado, seguindo o tratamento correto, essa taxa cai para 4% (Estado de São Paulo), chegando até a 0 em países desenvolvidos.

LetsFamily: A mulher com AIDS pode engravidar, se for um desejo dela?
Dr. Leonardo: Sim. O ideal é que a gravidez seja planejada para um estágio de tratamento em que ela esteja com alta contagem de linfócitos e baixa carga viral. Isso leva a menor transmissão vertical.
Pacientes que ao final da gestação tem baixa carga viral (<1000) e contagem de linfócitos CD4+ acima de 300 podem ter o parto via vaginal. Em outras situações a cesariana é mais indicada.
Além do tratamento com drogas antirretrovirais durante o trabalho de parto ou antes da cesariana, a paciente recebe soro com AZT, o que ajuda a diminuir a transmissão durante o parto.

LetsFamily: Quais os principais tratamentos quando o bebê nasce?
Dr. Leonardo: O recém-nascido deve ser secado e ter as secreções aspiradas delicadamente. Em seguida, é dado banho. O bebê recebe xarope de AZT em até duas horas após o nascimento.

LetsFamily: A mãe portadora de HIV pode amamentar?
Dr. Leonardo: A portadora do HIV deve ter a amamentação suprimida e o recém-nascido ser alimentado com fórmula infantil devido à transmissão do vírus HIV pelo leite materno.

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